A Evolução da Orquestra Sinfônica
10.dez 2020

Até cerca de 1750, a orquestra não tinha um tamanho definido. Durante o Renascimento, as formações instrumentais eram geralmente pequenas. As peças escritas durante o período costumavam ser executadas por conjuntos de instrumentos diferentes, de acordo com a ocasião. Isso mudou no século XVII, quando os compositores começaram a especificar a instrumentação desejada. No final do Renascimento e início do Barroco, podemos citar a orquestra da ópera Orfeo, do compositor italiano Claudio Monteverdi (1567-1643), que estreou em 1607, como um marco na história da orquestra sinfônica, composta por uma formação de mais de 30 músicos.

A orquestra começou a se padronizar em direção à sua disposição atual no final do período Barroco, tendo como base os instrumentos de cordas – que permaneceriam nos períodos subsequentes –, além de sopros, como os oboés, fagotes e flautas doces ou transversas e também instrumentos de preenchimento harmônico, como o cravo, o órgão e a teorba, de acordo com a ocasião e a instrumentação. O barroco é também a época do surgimento dos concertos, seja Concerto Solo ou Concerto Grosso (para um grupo de solistas, opondo pequeno e grande grupo na orquestra), o que leva ao avanço da técnica de diversos instrumentos e estimula a transformação nas formas de construção, a fim de permitir maiores possibilidades. Começa a época do virtuosismo instrumental, e seus reflexos são sentidos até os dias de hoje.

Na segunda metade do século XVIII, com os ditos compositores “clássicos” como Mozart, Haydn e Beethoven, a composição da orquestra passou a ter a seguinte organização: violinos, violas, violoncelos e contrabaixos, sopros, harmonia com instrumentos agrupados em dois e tímpanos. A ampliação crescente das salas de concerto fez com que a orquestra acompanhasse este movimento, atingindo o número de 60 a 80 músicos. A grande novidade do período clássico foi o aumento da importância dos instrumentos de sopro na orquestração.

No período subsequente, o romântico, destacou-se a figura de Hector Berlioz (1803-1869). Autor do Tratado de Instrumentação e Orquestração Moderna, redigido em 1848, e que foi referência no campo por um longo período, Berlioz foi responsável por impulsionar o desenvolvimento das orquestras sinfônicas adicionando à harmonia instrumentos como a tuba, o corne inglês e o clarinete baixo.

Obra: L’orchestre de l’Opéra. Edgar Degas, 1868. Óleo sobre tela. Acervo do Musée d’Orsay, Paris.

No final do século XIX, as sinfônicas atingiram o auge no que se refere ao tamanho, com obras que exigiam mais de uma centena de músicos, como a tetralogia O Anel do Nibelungo de Richard Wagner, por exemplo.

A orquestra sinfônica evoluiu para uma orquestra de geometria variável, desde o início do século XX até os dias atuais. Um dos movimentos mais significativos deste século é, sem dúvida, o desenvolvimento dos instrumentos de percussão que estão assumindo um lugar cada vez mais importante na música.

 

Fontes:

Présentation générale d’un orchestre – Orchestre Symphonique de l’Aube (Aube en Champagne, França). Disponível em: <https://www.aube.fr/142-orchestre-symphonique-de-l-aube.htm>

ADAMI, Felipe K. Histórico do desenvolvimento orquestral. Porto Alegre. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2012. Disponível em: <https://www.ufrgs.br/napead/projetos/orquestra-virtual/historico.php>